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Brasil, além do açúcar e do melaço,
que é um subproduto da produção do açúcar,
o caldo da cana é utilizado também na produção
de álcool.
O álcool é obtido após a fermentação
do caldo ou de uma mistura de melaço e caldo, portanto
através de um processo bioquímico. Todavia, antes
de ser enviado ao processo fermentativo, este caldo deve receber
um tratamento de purificação.
Tratamento do caldo para destilaria
Após passar pelo tratamento primário de peneiramento, o caldo é submetido a um tratamento mais completo que implica na adição de cal, aquecimento e posterior
decantação, tratamento semelhante àquele
utilizado na fabricação de açúcar.
Em geral, o resfriamento do caldo é realizado em duas
etapas:
· Fazendo-se passar o caldo quente (esterilizado) por um trocador de
calor (regenerativo) em contracorrente com o caldo misto frio,
onde o caldo misto é aquecido e o caldo para destilaria
é resfriado (=60°C).
· Resfriamento final até aproximadamente 30°C,
normalmente realizado em trocadores de placas utilizando água
em contracorrente, como fluido de resfriamento.
Livre de impurezas (areia, bagacilhos etc.) e devidamente esterilizado,
o caldo está pronto para ser encaminhado para fermentação.
Preparo do mosto
O mosto nada mais é que uma solução de
açúcar cuja concentração foi ajustada
de forma a facilitar a sua fermentação.
Basicamente é constituído de uma mistura de méis
e caldo, com uma concentração de sólidos
de aproximadamente
19-22° Brix. Caso haja necessidade, usa-se
água para o ajuste do Brix.
Preparo do fermento
O processo de fermentação mais comumente utilizado
nas destilarias do Brasil é o de Melle - Boinot, cuja
característica principal é a recuperação
da levedura através da centrifugação do
vinho.
Esta levedura recuperada, antes de retornar ao processo fermentativo,
recebe um tratamento severo, que consiste em diluição
com água e adição de ácido sulfúrico
até, normalmente, pH= 2,5, ou mais baixo (pH = 2) no
caso de haver infecção bacteriana.
Esta suspensão de fermento diluído e acidificado,
conhecido na prática com o nome pé-de-cuba, permanece
em agitação de uma hora a três horas, antes
de retornar à dorna de fermentação.
Fermentação propriamente
dita
É nesta fase que os açúcares são
transformados em álcool. As reações ocorrem
em tanques denominados dornas de fermentação,
onde se misturam o mosto e o pé-de-cuba na proporção
de 2:1, respectivamente.
Os açúcares (sacarose) são transformados
em álcool, segundo a reação simplificada
de Gay Lussac:
C12H22O11 + H2O
-> C6H12O6 + C6H12O6
C6H12O6 -> 2CH3CH2OH + 2CO2
+ 23,5 kcal
Durante a reação, ocorre intensa liberação
de gás carbônico, a solução aquece-se
e ocorre a formação de alguns produtos secundários
como: álcoois superiores, glicerol, aldeídos,
etc.
O tempo de fermentação varia de 4 a 10 horas.
Ao final deste período praticamente todo o açúcar
já foi consumido, com a conseqüente redução
da liberação de gases.
Ao terminar a fermentação, o teor médio
de álcool nestas dornas é de 7% a 10%, e a mistura
recebe o nome de vinho fermentado. Devido à grande quantidade
de calor liberado durante o processo de fermentação e à necessidade
da temperatura ser mantida baixa (32°C), é necessário
realizar o resfriamento do vinho, circulando água em
serpentinas internas às dornas, ou em trocadores de calor,
por onde o vinho é bombeado continuamente com água
em contracorrente.
Atualmente, este processo de fermentação é
realizado de forma descontínua ou contínua, em
dornas abertas ou fechadas. Nestas últimas, procede-se
a lavagem dos gases de saída em uma torre de recheio
para recuperação do álcool evaporado, por
absorção deste em água, que é retornada
ao processo.
Centrifugação do vinho
Após a fermentação, o vinho é enviado
às centrífugas para a recuperação
do fermento. O concentrado do fermento recuperado, denominado leite de levedura, retorna às cubas
para o tratamento. A fase leve da centrifugação,
ou vinho "delevedurado", é enviada para as
colunas de destilação.
Destilação
O vinho que vem da fermentação possui, em sua
composição, 7º a 10°GL (% em volume)
de álcool, além de outros componentes de natureza
líquida, sólida e gasosa. Dentro dos líquidos,
além do álcool, encontra-se a água com
teores de 89% a 93%, glicerol, álcoois homólogos
superiores, furfural, aldeído acético, ácidos
succínico e acético e etc., em quantidades bem
menores. Já os sólidos são representados
por bagacilhos, leveduras e bactérias, açúcares
não-fermentescíveis, sais minerais, matérias
albuminóides e outros, e os gasosos, principalmente pelo
CO2 e SO2.
O álcool presente neste vinho é recuperado por
destilação, processo este que se utiliza dos diferentes
pontos de ebulição das diversas substâncias
voláteis presentes, separando-as. A operação
é realizada com auxílio de sete colunas distribuídas
em quatro troncos:
· Destilação propriamente dita
· Retificação
· Desidratação
· Recuperação do desidratante
Destilação propriamente dita
A destilação é processada em três
colunas superpostas: A, A1 e D. Nestas, o etanol é separado
do vinho (inicialmente com 7º a 10°GL) e sai com a
flegma (vapores com 40º a 50°GL). O tronco de destilação
elimina ainda impurezas (ésteres e aldeídos).
O vinho é alimentado no topo da coluna A1, descendo pelas
bandejas e sofrendo a epuração, sendo a flegma
retirada no fundo desta (bandeja A16) e enviada à coluna
B. Os voláteis, principalmente ésteres e aldeídos,
são concentrados na coluna D e retirados no seu topo,
sendo condensados em dois condensadores R e R1, onde uma fração
deste líquido (90% a 95%) retorna ao topo da coluna D e a outra
é retirada como álcool de 2ª, com graduação
de aproximadamente 92°GL, ou retornado à dorna volante.
Uma coluna tem por finalidade esgotar a maior quantidade possível
de álcool do seu produto de fundo, que é denominado
vinhaça. A vinhaça, retirada em uma proporção
aproximada de 13 litros para cada litro de álcool produzido,
e é constituída principalmente de água, sais
sólidos em suspensão e solúveis e é
utilizada na lavoura como fertilizante, sendo seu calor parcialmente
recuperado pelo vinho em um trocador de calor. A sua graduação
alcoólica não deve ser superior a 0,03°GL.
O aquecimento da segunda coluna (coluna B) é realizado pela injeção
de vapor (escape ou vegetal) no fundo dessa coluna, ou indiretamente
através do trocador-evaporador. A finalidade da coluna B é concentrar a flegma a uma graduação de
aproximadamente 96ºGL e proceder a sua purificação
com a retirada das impurezas que a acompanham, como álcoois
homólogos superiores, aldeídos, ésteres,
aminas, ácidos e bases. A flegma é alimentada
nessa coluna, onde é concentrada e purificada, sendo
retirada, sob a forma de álcool hidratado, duas bandejas
abaixo do topo da coluna.
Os voláteis retirados no topo da segunda coluna passam
por uma seqüência de condensadores onde parte do
calor é recuperado pelo vinho, uma fração
do condensado é reciclada e outra retirada como álcool
de 2ª. Do fundo da coluna B é retirada uma solução
aquosa chamada flegmaça, que foi esgotada e que pode ser
reciclada no processo ou eliminada. Os álcoois homólogos
superiores, denominados óleos fúsel e alto, são
retirados de bandejas próximas à entrada da flegma.
O óleo alto retorna à dorna volante e o óleo
fúsel é resfriado, lavado, decantado e armazenado
para posterior comercialização. O aquecimento
da coluna é realizado pela injeção de vapor,
como na epuração.
Desidratação
O álcool hidratado, produto final dos processos de epuração
(destilação) e retificação, é
uma mistura binária álcool-água que atinge
um teor da ordem de 96°GL. Isto ocorre devido à formação
de uma mistura azeotrópica, fenômeno físico
no qual os componentes não são separados pelo
processo de destilação.
Este álcool hidratado pode ser comercializado desta forma
ou passar por um dos três processos de desidratação descritos
a seguir.
Destilação azeotrópica, utilizando Ciclohexano
Este processo utiliza uma coluna de desidratação, sendo o ciclohexano alimentado no topo da coluna e o álcool a ser desidratado alimentado a um terço abaixo do topo da coluna. Neste processo, o ciclohexano tem a característica de formar com o álcool e a água uma mistura ternária (azeótropo) com um ponto de ebulição de 63ºC.
Este menor ponto de ebulição da mistura em relação ao do álcool (78ºC), faz com que a água seja retirada no topo da coluna.
Por condensação, esta mistura azeotrópica irá se separar em duas fases, sendo a fase inferior, mais rica em água, enviada para uma outra coluna onde ocorre a recuperação do ciclohexano, que retorna ao processo de desidratação.
O álcool anidro obtido, com um teor alcóolico em torno de 99,3% p/p, é retirado na parte inferior da coluna de desidratação, de onde é condensado e encaminhado para armazenamento.
Destilação extrativa, utilizando Mono Etileno Glicol
Similarmente ao processo anterior, utiliza-se uma coluna de desidratação, onde o mono etileno glicol (MEG) é alimentado no topo desta coluna e o álcool a ser desidratado também a um terço abaixo do topo da coluna.
Inversamente ao processo do ciclohexano, o MEG absorve e arrasta a água para o fundo da coluna e os vapores de álcool anidro saem pelo topo da coluna, de onde o álcool é condensado e enviado para armazenamento nos tanques.
A mistura contendo água, MEG e uma pequena quantidade de álcool, é enviada para uma coluna de recuperação do MEG, o qual retorna ao processo de desidratação.
Como o MEG concentra as impurezas retiradas do álcool e se torna mais corrosivo, é necessária a sua purificação pela passagem através de uma coluna de resinas de troca iônica, que retém os sais e reduz a acidez.
Desidratação por adsorção, utilizando Peneira Molecular
O álcool a ser desidratado é inicialmente vaporizado e superaquecido antes de ser enviado para as colunas de desidratação, que contém em seu interior um material constituído basicamente por hidrosilicato de alumínio contendo micro-poros, denominado zeolita, mais popularmente conhecido como peneira molecular. Esta rede de micro-poros absorve a água e deixa passar os vapores de álcool que são posteriormente condensados na forma de álcool anidro.
Periodicamente é realizada a regeneração da zeolita pela passagem sob vácuo de vapores alcóolicos que são posteriormente destilados para recuperação do álcool neles contido.
Armazenamento do álcool
Os álcoois produzidos, hidratado e anidro, são
quantificados através de medidores de vazão ou
tanques calibrados e enviados para armazenagem em tanques de
grande volume, situados em parques de tanques, onde aguardam
sua comercialização e posterior remoção
por caminhões.
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