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A
agroindústria brasileira atingiu nos últimos anos
papel de destaque na economia do Brasil. Com taxas de crescimento
na casa dos 5%, o dinamismo do mercado se deve a fatores como
aumento da safra agrícola, da exportação
e dos preços internacionais. Mas até chegar a
esse momento, a agroindústria percorreu um longo caminho,
principalmente nos mercados de açúcar e álcool.
No final do século 18, a concorrência do açúcar
de beterraba europeu e do açúcar de cana das Antilhas
e de Cuba ameaçavam a liderança do Nordeste brasileiro,
grande produtor de açúcar. Ao mesmo tempo, a lavoura
canavieira reconquistou importância como atividade econômica
em São Paulo, migrando do litoral para o interior, onde
estavam as áreas de solos férteis de terra roxa.
Ainda que a partir do século 19 São Paulo tivesse
sua economia focada no café, a produção
açucareira continuou crescendo até 1929, quando
o crash da Bolsa de Nova York abalou os mercados mundiais, atingindo
fortemente a economia brasileira, baseada no café. A
cana sofreu o mesmo impacto.
Como parte do esforço de recuperação brasileiro,
o governo do então presidente Getúlio Vargas criou
o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).
Foram estabelecidas cotas de produção e normas
rígidas para todas as etapas do processo produtivo e
de comercialização dos produtos nos mercados interno
e externo.
Do engenho à usina
O engenho de produção canavieira propriamente
dito compreendia várias edificações, cada
uma delas destinadas a uma fase do processamento da cana. Na
Casa da Moenda, a cana era esmagada em cilindros
movidos por uma roda-d'água ou por parelhas de bois,
obtendo o caldo da cana. Depois, os escravos transportavam o
caldo para a Casa das Fornalhas, a fim de ser
concentrado em grandes tachos de cobre e transferido para as
formas, onde o açúcar cristalizava. Já
na Casa de Purgar, a massa era purificada e
dividida em pedaços chamados pães-de-açúcar.
No mercado interno, a comercialização do açúcar
se dava na forma desses pães. Para o mercado externo,
no entanto, os pães eram quebrados, triturados e depois
secos ao sol. Assim, o açúcar obtido seguia para
os portos, acondicionado em caixas.
A modernização do setor
Com
a crise econômica de 1929, foi criado o Instituto do Açúcar
e do Álcool (IAA), cuja função era controlar
a produção para manter os preços em um
nível adequado, protegendo o produto brasileiro no mercado
mundial. Para atingir suas finalidades, o IAA estabeleceu um
sistema rígido de cotas, que eram distribuídas
entre as diferentes unidades produtoras. Ou seja, cada engenho
e usina só poderia produzir uma determinada quantidade
de açúcar. Com os preços e a produção
rigidamente controlados, a única maneira de manter o
negócio lucrativo era reduzir os custos e aumentar a
produtividade.
Desse modo, era praticamente inevitável que a produção
viesse a se concentrar em grandes usinas, com capacidade para
moer milhares de toneladas de cana por dia. Desde então,
a agroindústria açucareira vem passando um constante
processo de modernização, com o agrupamento de
empresas, buscando maior rendimento das lavouras e barateamento
dos custos. |
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