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Publicada por Copersucar 16/10/2018

Etanol: mitos e verdades sobre abastecer com o biocombustível

Especialista responde sobre o uso do combustível etanol e sua relação com o desempenho do motor

O ano de 1979 foi marcado pelo lançamento dos primeiros veículos  movidos 100% a etanol, conhecido popularmente como álcool, no Brasil. Anos depois, na década de 1990, a tecnologia flex fuel entrou em fase de testes, mas o primeiro modelo foi comercializado ao público somente em 2003: o Gol Power 1.6 Total Flex. Atualmente, os carros flex já são maioria no país e a frota até 2017 chegava a 28 milhões de veículos.

Embora capazes de funcionar tanto com etanol quanto com gasolina, misturados em qualquer proporção, há muitas vantagens na utilização do biocombustível de cana-de-açúcar, pois é uma opção limpa, renovável e sustentável. Ainda assim, existem muitos mitos que causam dúvidas nos motoristas, especialmente os relacionados ao desempenho do motor movido a etanol.
“Em geral, as pessoas atentam apenas para o preço, mas outros fatores devem ser levados em conta”, observa o professor e chefe da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, Renato Romio. “Principalmente, no que diz respeito à emissão de gases de efeito estufa, que é muito menor do que a proveniente de combustível fóssil”, complementa ele, que também é presidente do Conselho da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Romio esclarece alguns mitos e verdades sobre a utilização de etanol nos veículos.

O motor do carro fica mais potente com etanol.

Verdade. O aumento de potência é resultado da combustão mais eficiente, que, por sua vez, relaciona-se às maior octanagem e velocidade de queima. O motor com etanol pode operar com taxa de compressão maior. “Vale ressaltar que isso acontece de modo geral, mas alguns fabricantes de veículos tentam manter a mesma potência, o que ocasiona perda de rendimento”, ressalta o professor.

Abastecer com Etanol prejudica o motor.

Mito. De acordo com Romio, nenhuma peça do motor sofre prejuízos com o uso do biocombustível. “Os motores passam por testes de durabilidade com etanol nas montadoras”, reforça. “No início, havia alguns problemas de corrosão, o carro demorava mais para pegar. Mesmo assim, os veículos a etanol chegaram a representar 96% da frota naquela época. Atualmente, os modelos flex não apresentam esses inconvenientes”.

O rendimento do etanol é menor que o da gasolina.

Verdade. Porém, estudo realizado pelo Instituto Mauá de Tecnologia com apoio da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) apontou que o etanol pode render até 75,4% em relação à gasolina, número mais alto que os 70% utilizados como padrão pelo mercado. O rendimento ainda varia de acordo com as condições de manutenção do carro, a forma como o motorista dirige e o trajeto utilizado, além de outros fatores.

Abastecer com etanol prejudica o motor flex. É preciso intercalar com a gasolina.

Mito. Não é necessário, pois o motor flex foi feito para trabalhar com o biocombustível. “O veículo pode ficar a vida inteira rodando somente com etanol”, afirma o especialista.

O etanol mantém o motor mais limpo do que a gasolina.

Verdade. O etanol provoca menos depósitos de sujeira nos bicos injetores e, consequentemente, mantém o motor mais limpo. “Ao contrário da gasolina comum, o etanol mantém o motor por mais tempo em condição similar à de veículos novos”, diz Romio.

Em temperaturas muito baixas, o carro abastecido com etanol tem dificuldade de funcionar.

Mito. De acordo com o professor, o carro consegue funcionar mesmo em condições mais frias, pois todo veículo flex ou movido a etanol tem um sistema de partida a frio. “Antes, era um tanquinho de gasolina, que era injetada durante a partida. Atualmente, são sistemas que aquecem o etanol próximo ao bico injetor”, explica. E completa: “Algumas pessoas gostam de colocar um pouco de gasolina misturada no etanol, pois acham que facilita o funcionamento, mas não há necessidade”.

 

Leia também: Etanol hidratado e anidro: entenda as diferenças

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