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Publicada por Assessoria de Imprensa 11/12/2018

Carro elétrico ou a etanol? A contribuição de cada um para o clima

A busca de alternativas sustentáveis para a mobilidade urbana, diante da necessidade de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), tem sido um tema cada vez mais frequente nas discussões sobre a transição energética do planeta. A matriz energética dos transportes, dominada há mais de um século pelos combustíveis derivados do petróleo, está em franca diversificação. Nesse debate, os carros elétricos têm sido apontados como a próxima revolução, mas o papel dos biocombustíveis precisa ser enfatizado como uma solução pronta e acessível para contribuir, desde já, para essa transição.

Essa é a posição que tem sido defendida por um contingente expressivo de pesquisadores e organismos internacionais. “Existe uma tendência inexorável de se orientar a mobilidade para fontes de energia elétrica, mas não podemos tratar essa alternativa como se fosse uma solução mágica”, afirma o professor Luiz Augusto Horta Nogueira, associado do Nipe/Unicamp e atualmente pesquisador visitante na Irena – Agência Internacional de Energias Renováveis, associada à Organização das Nações Unidas, com base em Bonn, Alemanha.

Também a Agência Internacional de Energia (AIE), em seu último relatório, divulgado este mês, aponta para a contribuição do etanol para as metas de descarbonização. “Espera-se que o RenovaBio (programa governamental brasileiro de incentivo ao etanol) fortaleça a economia dos biocombustíveis, acelerando os investimentos e a produção”, afirma o documento. Em outro trecho, afirma-se que a China estenderá para todo o país a mistura obrigatória de 10% de etanol na gasolina, visando maior segurança energética, mas que tem o controle da poluição do ar como incentivo adicional. Até 2020, a política de biocombustíveis recentemente anunciada na Índia também resultará em aumento de produção.

 

Frota de carros elétricos avança em marcha lenta

Pesquisador com mestrado e doutorado em Engenharia, Horta Nogueira tem estudado o advento dos carros elétricos nos últimos 20 anos. “Vivemos 100 anos com um padrão de geração de energia em larga escala, baseada no petróleo, mas hoje convivemos com uma série de revoluções tecnológicas que estão nos trazendo transições simultâneas”, disse ele em entrevista ao site da Copersucar. “Na Europa, cuja frota de veículos só é menor que a dos Estados Unidos, temos o incremento dos carros elétricos, mas, visto de perto, percebemos que ainda é marginal. A Europa vende anualmente 14 milhões de veículos e, desse total, apenas 1,8% referem-se a elétricos, incluído os híbridos (que funcionam tanto a combustível líquido quanto a energia elétrica)”.

Mesmo sendo uma tendência, o carro elétrico segue em marcha lenta, segundo reportagem do jornal Valor Econômico assinada por Paulo Vasconcellos, em 30 de agosto último. “O estudo ‘Carros Elétricos’, publicado pela FGV Energia no ano passado, aponta que a frota mundial de carros elétricos para passageiros chegou a 2 milhões em 2016. Em 2030 talvez sejam 140 milhões, ou 10% da frota mundial. A Empresa de Pesquisa Energética estima que, no Brasil, até 2026, seriam 520 mil – 1% da frota de veículos do país. Hoje, mal passam dos 300”, relata a reportagem. Considerando os carros híbridos, a frota eletrificada atual chegaria a cerca de 10 mil, de acordo com os números do Denatran.

Pesam ainda contra os carros elétricos as barreiras estruturais não resolvidas, como o alto custo, o muito peso e a baixa densidade energética das baterias, a pouca autonomia de rodagem e a fonte da energia elétrica a ser utilizada (que também pode ser poluente), além da precária rede de abastecimento. Questões que, segundo os defensores, serão resolvidas com o barateamento da tecnologia ao longo do tempo.

 

Brasil na vanguarda de combustíveis limpos e renováveis

Em se tratando de combustíveis limpos e renováveis, o Brasil leva uma grande vantagem, pois é o maior produtor mundial de etanol a partir da cana-de-açúcar – foram 27,9 bilhões de litros na Safra 2017/2018. Essa é uma matriz energética disponível, renovável, sustentável e limpa. “Mesmo os híbridos movidos a células de combustível podem usar o etanol em substituição ao hidrogênio para gerar eletricidade”, explica a doutoranda no MIT Portugal e Pesquisadora Associada na FGV Energia, Tatiana Bruce.

O Brasil conta, ainda, com 30 milhões de veículos flex em circulação, que rodam com etanol ou gasolina, o que corresponde a 70% do total da frota de 43 milhões de carros e veículos comerciais leves, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Desde 2003, ano da introdução da tecnologia flex no Brasil, o uso do etanol proporcionou uma redução de 500 milhões de toneladas de CO2 que deixaram de ser jogados na atmosfera, até setembro deste ano, o que revela uma enorme contribuição para a qualidade do ar e a redução do aquecimento global, segundo dados divulgados pela UNICA – União da Indústria da Cana-de-açúcar.

O Etanol ainda é a solução energética para os próximos anos

Outros argumentos que reforçam a solução representada pelo etanol é a longevidade ainda prevista para os motores a combustão. “A transição para a bateria não será imediata, porque não há motivo para tirar do mercado os motores a combustão. Qualquer previsão inferior a 40 ou 50 anos para o fim do motor a combustão é desprovida de racionalidade”, afirma o professor Horta Nogueira.

Em recente seminário organizado pela consultoria Datagro, em São Paulo, representantes da indústria automobilística também fizeram a defesa enfática do etanol. Ricardo Simões de Abreu, diretor da Mahle Metal Leve, disse que “o caminho da eletrificação da mobilidade urbana adotado no exterior dificilmente será eficiente no Brasil, graças à disponibilidade do etanol”. João Irineu Medeiros, diretor de Assuntos Regulatórios da Fiat Chrysler, garantiu que o etanol ainda terá “vida longa”. “Em 2018, o etanol irá responder por 30% dos combustíveis utilizados pela frota de veículos leves no Brasil”, afirmou.

 

Híbridos flex, nova fronteira

Ainda segundo Ricardo Abreu, “integrar eletrificação com biocombustíveis no transporte de passageiros pode ser um novo vetor de desenvolvimento, com redução das emissões”. Ele se refere à combinação das duas tecnologias, presentes nos chamados carros híbridos. Horta Nogueira explica que um automóvel típico hoje tem um motor com mais de 100 HP, mas raramente utilizamos essa potência. O normal é utilizar em torno de 15% dessa força. O híbrido combina o motor a combustão quando se está nessa base de utilização e o elétrico quando se demanda mais força. “Essa flexibilidade é ainda maior quando se considera o motor a etanol, ou o flex. Híbridos com célula de combustível podem ser ainda mais eficientes, gerando a energia elétrica no próprio veículo, sem necessidade de bateria –  principalmente se tivermos como fonte o etanol”, completa.

Com a convergência das tecnologias limpas, resta um consenso entre os estudiosos e ambientalistas: a substituição dos combustíveis fósseis pelos biocombustíveis renováveis é uma medida indispensável para enfrentar o cenário de mudanças climáticas, aquecimento global e poluição atmosférica. “O RenovaBio não pode ser enfraquecido. O avanço do etanol é sobre os combustíveis fósseis”, defende o diretor de redação do portal novaCana, Julio Cesar Vedana. Horta Nogueira recorre ao cientista José Goldemberg para lembrar que, no transporte, “temos que substituir o fóssil pelo etanol de cana, que é a solução mais rápida e eficiente”.

Leia também: Motores flex: 15 anos de benefícios para o consumidor

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