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Publicada por Copersucar 20/09/2018

Etanol: fonte de benefícios ambientais e sociais

Abastecimento de carro com etanol

Maior produtor mundial de etanol a partir da cana-de-açúcar, com 27,9 bilhões de litros na Safra 2017/2018, o Brasil é aliado de peso na América Latina na redução da emissão dos gases do efeito estufa. No primeiro semestre deste ano, frota flex em circulação no país consumiu 13,2 bilhões de litros de etanol (anidro e hidratado), o que evitou a emissão de 32 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Um recorde na série histórica desde o lançamento desses veículos, em 2003. Hoje, os carros bicombustíveis somam mais de 28 milhões de veículos, ou 65% do total da frota de 43 milhões de carros e veículos comerciais leves (picapes e furgões).

O consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, destaca que esse volume economizado equivale ao que é emitido, em média, por cerca de 56 milhões de viagens realizadas por caminhões pesados movidos a diesel entre São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).

O etanol anidro compõe a mistura da gasolina, na proporção de 27% do biocombustível, conforme regulação do governo, enquanto o etanol hidratado é o álcool comum encontrado nas bombas dos postos de abastecimento. Cabe registrar que o milho é outra matéria-prima utilizada na produção do etanol, mas a participação ainda é pouco expressiva no Brasil.

O biocombustível é renovável, ou seja, sua matéria-prima pode ser produzida continuamente, e é sustentável e limpo. Em seu processo de fotossíntese, a própria cana-de-açúcar absorve o dióxido de carbono (CO2) equivalente àquele emitido pelo etanol em todo o seu ciclo. Em prol do meio-ambiente conta, ainda, que as emissões de CO2 provenientes da queima do biocombustível são mais baixas que as de derivados do petróleo, caso da gasolina.

De acordo com o estudo “Brazilian sugarcane ethanol as an expandable green alternative to crude oil use”, publicado em 2017 na revista Nature Climate Change, o Brasil tem capacidade para substituir até 13,7% da gasolina mundial e ajudar a reduzir cerca de 5,6% das emissões mundiais de dióxido de carbono até 2045.

Um dos autores do estudo, o biólogo e professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Buckeridge, diz que o potencial de expansão do Brasil nesse setor é enorme. “Além de contar com muitas áreas agricultáveis, o país tem tecnologia, estrutura de usinas e todo um histórico, o que é uma grande vantagem em relação a outros países, inclusive aos Estados Unidos”, afirma.

Nesse cenário, Buckeridge destaca a importância do chamado etanol de segunda geração (2G), que é produzido a partir da biomassa da planta – no caso da cana-de-açúcar, são o bagaço e a palha. “Sozinho, ele pode aumentar até 40% a produção de etanol no Brasil. Ainda temos muito a melhorar nesse quesito, mas há muitos estudos em andamento para superarmos as barreiras e melhorarmos a produtividade do 2G”, diz.

Os substratos da cana-de-açúcar, por seu enorme poder calorífico, também fornecem bioeletricidade, que abastece a própria usina, tornando-a 100% autossuficiente em energia. E o excedente pode ser vendido ao sistema elétrico brasileiro ou doado a instituições, como hospitais.

Outra externalidade positiva do uso intensivo de etanol é a contribuição para a qualidade do ar, com menor poluição, e a consequente redução da incidência de doenças respiratórias entre a população. Estudo realizado em 2013, pelo médico, pesquisador e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Saldiva, que também é especialista em fisiopatologia pulmonar e poluição atmosférica, mostrou que se a cidade de São Paulo consumisse somente gasolina, o custo anual ao Sistema Único de Saúde (SUS) seria de, no mínimo, R$ 380 milhões, apenas com cuidados de doenças do sistema respiratório, sem contar as complicações.

Isto porque o material particulado presente nas emissões dos combustíveis derivados de petróleo – pequenas partículas sólidas ou líquidas produzidas pelos motores durante a queima, que permanece suspenso no ar e é facilmente inalável, pode causar diversas doenças respiratórias e mesmo em outros órgãos.

Em outra pesquisa da USP, analistas estimam que, nos próximos 12 anos, o etanol de cana sozinho proporcionaria uma redução adicional de emissões estimadas em 571 milhões de toneladas de CO?, o que evitaria 11 mil internações e quase 7 mil mortes no período. Segundo cálculos da universidade, haveria uma economia de até US$ 23 milhões para o SUS.

 

Etanol: potencial do setor

 

A política brasileira para o etanol teve início na década de 1970, com o Programa Nacional do Álcool, conhecido como Proálcool. Ele contribuiu para a evolução dos projetos e da tecnologia, essenciais para o desenvolvimento de veículos com motor flex, lançados no mercado em 2003.

“A combustão mais eficiente do etanol, por causa da maior octanagem e velocidade de queima, aumenta a potência do motor, que pode operar com taxa de compressão maior”, explica o chefe da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, Renato Romio. O biocombustível mantém o motor limpo por mais tempo, porque deposita menos sujeira nos bicos injetores e não provoca danos a nenhuma peça, garante o especialista.

Para o chefe da Divisão de Recursos Energéticos do Itamaraty e um dos nomes por trás da Plataforma para o Biofuturo, Renato Godinho, o Brasil conta com um ativo ambiental muito importante, principalmente para ajudar no cumprimento do Acordo de Paris, assinado em 2005, que prevê ações para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Ele reforça que, para expandir a produção de etanol de forma ambientalmente sustentável, é essencial investimentos constantes, a fim de aumentar a eficiência e a produtividade da cana-de-açúcar, e acredita que o RenovaBio tem muito a contribuir nessa direção. Oficializada em dezembro de 2017 e ainda em fase de regulamentação, a Política Nacional de Biocombustíveis tem o objetivo de ajudar o país a cumprir as metas de descarbonização do Acordo de Paris (COP21) e incentivar a produção nacional de biocombustíveis, dando previsibilidade ao mercado sucroenergético.

Ao contrário do que ocorre com a economia açucareira, a produção do etanol é voltada ao mercado interno. De acordo com a publicação “A geografia da cana-de-açúcar”, lançada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 5,2% do etanol produzido em 2015 foi exportado. O Relatório de Sustentabilidade 2016/2018 da Copersucar  mostra que, dos 4,3 bilhões de litros de etanol (anidro e hidratado) comercializados pela Companhia na Safra 2017/2018, 3,6 bilhões de litros foram vendidos em território nacional.

A expectativa de Renato Godinho é que os benefícios do etanol ultrapassem as fronteiras do país: “É uma questão de criar um mercado significativo e, depois, colocar o Brasil como um dos fornecedores mais competitivos”.

Leia também: Como é produzido o Etanol?

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